terça-feira, 16 de julho de 2013

O Piso que Cedeu



- Que desvairada! O plano não era apenas enforca-la! Agora há vestígios de sangue por toda a casa.

- Acalme-se! Vamos limpar tudo isso imediatamente e embrulhar este presunto. – Disse a mulher.

Sons veem da escada do apartamento.
Toc, toc,... Batida na porta.

- Merda! Quem será? – Diz a mulher.

- Vou averiguar.  – Diz o homem.

Ao olhar pelo o olho mágico, o homem só consegue ver uma pinta negra.

- Porra! Alguém está tampando o olho mágico com o dedo. – Diz o homem.

- Pergunte quem é e despeça-o.

- Diga! O que deseja! – Diz o homem com a porta semiaberta atada por uma correntezinha.

- SURPRESA! – Dizem aproximadamente sete ou oito pessoas.

O homem solta um funesto sorriso com sua testa ensopada de suor, deixa cair um bilhete soberbamente premiado, e diz: “Só um momentinho”.

- Esqueci literalmente que hoje é meu aniversário. Familiares meu e de Rose estão aí fora para festejar essa merda. E fazia anos que eu não recebia uma festa surpresa. Puta que pariu; justo hoje!

- Rápido! Não á tempo de se lamentar.  – Diz a mulher, afoita. – Vamos despeja-la neste piso removível. Rápido!

Removem o piso. O homem segura as mãos e a mulher as pernas da morta e jogam o corpo, inerte, num espaço demasiado apertado.

- Vamos, Jonas! Abra a porta. – Grita um dos visitantes.

- Já vou indo. Só um momento.

- Droga! O espaço é muito pequeno. A cabeça vai ficar para fora. E agora, meu Deus!

- Vamos degola-la.  – Diz a mulher, de forma alguma, sugerindo aquilo.

- Você está realmente louca. Não vou fazer isso.

A mulher, então, vai até a gaveta, onde se encontra os talheres, e de lá tira uma enorme faca e enfia bem no âmago do pescoço da morta, e começa a degola-la friamente. A impávida moça era observada com espanto pelo o marido da morta.

- O que fizemos! – Dizia ele.

Ao terminar de degolar a mulher, a amante de Jonas pega a cabeça e a despeja na lata de lixo, que se localiza na cozinha, e rapidamente limpam o sangue com um alvejante, e dentro de dois minutos a cena do crime está incrivelmente remediada.

A amante de Jonas se escondeu em um compartimento da casa e Jonas, enfim, dirigiu-se a porta para recepcionar os visitantes.

- Boa noite, gente! Mãe, tudo bem? E você irmã? Oi sogra, oi sogro. Tudo bem cunhada? Oi sobrinho! E quem é este rapaz aí com você, cunhada?

- É meu noivo. Noivamos hoje, né amor!

- Sim. – Disse o homem com um sorriso benévolo.  – Prazer, Ruy.

- Prazer, Jonas. Queiram sentar, por favor.

- Onde posso pôr a comida que trouxemos, filho? – Perguntou a sua mãe.

- Ah, dei-me aqui, por favor. Deixe que eu ponha na mesa. – Respondeu Jonas.

- Onde está Rose, Jonas? – Perguntou a sogra deste.

- Bom, ela saiu para comprar algo. Vai ver é meu presente.

Todos sorriram consideravelmente. Jonas chorava por dentro.

- É realmente uma surpresa enorme. Eu jamais adivinharia que vocês viessem.  – Disse Jonas.

- Ainda bem que Rose sabe guardar segredo. – Disse a sua cunhada.

- Ora; então ela sabia?

- Sim, claro.

- Mas que cheiro forte de alvejante é este, filho? – Pergunta a mãe de Jonas.

Jonas hesita por alguns segundos e responde:

- Bom. Vomitei há uma meia hora atrás. O almoço do meu trabalho não me fez muito bem. Ainda estou um pouco pálido, como vocês podem ver.

- E parece que aqui teve uma luta corporal! – Diz o seu sogro reparando na bagunça da casa.

- Há, há, há. É verdade, Jonas. Você sempre foi um homem sistemático. Muito me estranha essa bagunça. – Diz o seu pai.

Jonas agora soa como uma panela de pressão.

- É o cansaço. – Responde Jonas de imediato.

- Em quê você trabalha, Ruy? – Perguntou Jonas ao noivo de sua cunhada com o intuito de desviar o assunto.

- Sou detetive. – Respondeu.

Jonas custou a engolir a saliva que o viera. Parecia uma enorme avalanche.

“Por que fui mudar de assunto!”. Monologou.

- Que ótimo! – Respondeu ele.

- Será que Rose vai demorar? – Perguntou a sua sogra.

- Logo, logo ela chega. – Respondeu Jonas.

Ruy mantinha uma expressão circunspecta. Pouco falava. Apenas observava.

- Oras, vamos pôr uma música, beber e dançar um pouco. – Sugeriu a irmã de Jonas.

Todos gostaram da ideia e uma música foi posta. A bebida foi servida pela a irmã de Jonas que servia os visitantes com uma bandeja. De repente foi até a cozinha para jogar um lixo fora. Quando ela ia pisando no pedal da lixeira para suspender a sua tampa e jogar o lixo, esta foi interceptada grosseiramente por Jonas que a empurrou violentamente.

- Por que fizeste isso, Jonas? – Questionou sua irmã.

- Desculpe irmã. A verdade é que não me sinto bem, mesmo. Deixe que eu jogue este lixo aí. Não se preocupe.

Os visitantes, visivelmente embriagados, dançavam com passos pesados sob o piso de Jonas. O piso começava a oscilar.

Jonas, enfim, se apercebeu que seu sobrinho havia sumido da sala de estar e da cozinha. “Que capeta”, disse. “Onde ele deve estar?”.

O garoto de dois anos havia ido, justamente, no esconderijo improvisado da amante de Jonas: no quarto. Quando a amante viu o garoto, correu para o único banheiro da casa que se localizava de frente ao quarto de Jonas.

- Onde fica o banheiro? – Perguntou Ruy a sua noiva.

- Ah, você pode ir direto naquele corredor que você vai parar lá. Fica de frente para um quarto.

- Obrigado!

Jonas procurava o garoto pelos três quartos da casa. Encontrou-o justamente no seu. Temeu por achar que o garoto houvesse encontrado sua amante. “Ela deve estar bem escondida”, pensou ele puxando a criança pela a sua orelha. De repente viu Ruy no corredor dirigindo-se ao banheiro.

- O... banheiro! – Sorriu Ruy.

- Pois não. – Sorriu forçadamente Jonas.

Quando Ruy abriu a porta do banheiro e ligou a luz, viu a amante de Jonas toda encolhida sentada ao lado da privada.

- Mas o quê você faz aqui, moça? – Perguntou ele.

- Bom...bom...eu sou doméstica da casa. Senti-me mal e vim ao banheiro, porém minha dor ainda não passou.

- Bom, desculpe-me. Vou me retirar.

- Não, fique a vontade, amigo. – Disse ela.

Ruy sabia, e agora tinha certeza, de que havia alguma coisa errada na casa.

Ao passar pela a cozinha, sobre os olhares de Jonas que estava na sala, Ruy avistou no chão várias gotas de sangue que vinham desde a sala até a cozinha, perto da lixeira. Ruy seguiu aquelas gotas sorrateiramente, e Jonas esbugalhava os seus olhos olhando-o. Ruy viu então, ao lado da lixeira, uma faca molhada de sangue. “Que estranho. Muito estranho.” Jonas sentiu o seu coração querer lhe sair pela a boca. Ruy virou-se e voltou para a sala de estar.

- Acabei de vê sua secretária no banheiro, Jonas. Acho que ela está passando mal.

- Secretária? – Perguntou juntos os pais e os sogros de Jonas.

- Mas você nunca teve uma secretária, filho! – Disse a mãe de Jonas.

- Bom, eu e Rose não estamos com muito tempo para cuidar da casa. Por isso contratamo-la.

- Apresente ela a nós, filho. – Disse a mãe de Jonas.

- Sim, sim. Vou chama-la.

- Este piso estar para ceder! – Disse a sogra de Jonas.

- Sim, está oscilando muito. – Acrescentou sua irmã.

- Mudando de assunto, - Disse o seu sogro – vocês sabiam que o ganhador da loteria de hoje é de nossa pequena cidade?

- Nossa! Não sabíamos. – Disse alguns.

- Hum, será que foi a Rose que ganhou e resolveu fugir do país? – Disse a cunhada de Jonas.
Todos sorriram, beberam e dançavam em cima de um cadáver sumariamente degolado.

- Aqui está a moça. – Disse Jonas apresentando a sua amante aos demais. – Ela se chama Ana.

Ruy, instintivamente, percebeu uma gotícula de sangue sobre a gola da camisa da moça.

- Prazer Ana. – Cumprimentou os convidados.

- Isto não é veste de doméstica. – Disse a cunhada de Jonas no ouvido de Ruy.

- Deverás. – Respondeu este.

Mais uma vez, por um incrível instinto que só os detetives possuem, Ruy percebeu um papel jogado bem próximo da poltrona em que estava sentado. Simulando atar seu cadarço, Ruy ajuntou aquele folheto. Quando vislumbrou do que se tratava, jogou-se consternado na costa da poltrona.

Ruy começou a ligar os fatos: Primeiro a demora para Jonas recepciona-los, segundo o seu, e de sua suposta empregada, mal estar e vômitos, terceiro a gota de sangue na roupa da mulher e na faca, encontrada jogado perto da lixeira, e quarto, e crucial condenação, o bilhete premiado da loteria. Sim, a sua noiva havia ironicamente acertado: Jonas matou a sua esposa para poder ficar com o premio de 50 milhões da loteria.

Agora era Ruy que pingava horrores.

Os dançantes dançavam insaciavelmente. De repente uma viga do piso se moveu. Apenas Ruy, Jonas e Ana perceberam. Ruy contemplou um dedo, com a unha pintada de vermelho. Estremeceu, assim como os criminosos. Jonas, disfarçadamente chutou aquele dedo de volta para debaixo da viga. Ruy se fazia de desentendido. Jonas pedia para os visitantes cessarem de dançar, porém em vão. O piso estava para desabar completamente. Desta vez vieram três dedos da defunta para fora. A criança, o sobrinho de Jonas havia novamente sumido. Os dançantes sorriam e jogavam bebidas no chão. De repente o pai de Jonas se escorregou e caiu  no chão, e justamente na hora o piso desabou e Ruy sacou sua arma com uma destreza impecável dando voz de prisão para os dois. Todos os presentes ficaram petrificados com a cena. Ruy, então, tirou as vigas e pôde se ver a morta sem a sua cabeça.

- Meu Deus! – Gritaram todos abismados com aquela cena.

- E a sua cabeça? – Perguntou Ruy – Onde você jogou?


De repente a criança chega até a sala, segurando a cabeça da mulher, sua tia, e a joga bem no meio da sala, fazendo escorrer sangue sobre os calçados dos convidados e dos criminosos. 


Por Patrik Santos

3 comentários:

  1. Nossa! Fico pensando na personalidade desta criança... Um abraço

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    1. Muito obrigado pela a visita, Malu;
      Volte sempre! :)

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  2. meu deus! que sangue frio,toda a cena passou na minha mente
    como se eu estivesse lá.

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